de duas em duas semanas faço uma excursão ao hospital. eles gostam muito de mim. por isso vou pela manhãzinha tirar sangue. depois de tarde vou à consulta. é um dia bem passado no meio das enfermidades.

lá estou eu preparada para tirar sangue. bem. se calhar não estava nada preparada. tensão era muita depois de tantos percalços. ora eram as análises que deviam ter sido marcadas com antecedência. ora era a confusão de papelada pelas enfermeiras que me enviavam em curtas viagens de balcão a balcão. ora a injecção que deveria ser tomada a horas e que estava longe de ser tomada. prolongando o meu sofrimento.

só sei é que mal vi aquela agulha as minhas veias fugiram para os recônditos do meu ser. eclipsaram. de tal maneira que nem eu percebia como estava a respirar. e mal a enfermeira sugeriu passar para o outro braço. o outro braço infame em questões de veias. aí a coisa caiu por terra. desatei num pranto que nem uma Madalena arrependida. assim sem controle nenhum. absolutamente nenhum.

sua chorona. que idade pensas ter. pareces uma bebé. pára. pára já disse. ARRRETE! gritei contra mim mesma na esperança de estancar a hemorragia de lágrimas que avassalaram os meu olhos.

pedi desculpa à enfermeira. a enfermeira de fim de carreira. que havia um ano me tirava as análises religiosamente. indolor. simpática. atenciosa. ao que ela retorquiu “mas querida está a chorar por isto ou é outra coisa?”.

interessante ver o que uma simples situação pode despoletar.

já cá fora. completamente perdida. continuei a chorar. ainda tinha que ir ter com a médica para resolver a confusão das análises. assim com aquela tromba. e sem conseguir estancar a porra do rio.

foi quando me ouvi a falar com ela que percebi o estado em que estava. quase a roçar o histérico. não se denunciou. apenas no trato demasiado diplomático.

quem sabe, sabe.

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